Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

a minha visão da Terra do Nunca

O porteiro ou segurança do aeroporto de Nova Dheli, num inglês nem sempre fácil de decifrar, desaconselha-nos a entrar – é demasiado cedo para o voo das 11h15. Ainda faltam 6 horas e já ali estamos!

Tínhamos passado pelo controle de passaportes, recolhido a bagagem e consequentemente saído do aeroporto, mas queríamos encontrar o terminal das partidas, o lounge dos check-in – nomenclaturas ocidentais que rapidamente ruíram no nosso subconsciente – e para isso subimos as escadas e rapidamente fomos absorvidos por aquele bafo húmido e quente que se entranha na pele, assim como por um aglomerado de gente que paira no que parecem ser as traseiras do aeroporto. Foi o primeiro impacto com uma outra terra, um outro cheiro, um outro olhar, essencialmente com uma outra multidão a que não estamos habituados.

Entramos, vislumbramos umas cadeiras ao fundo, encaminhamo-nos para essa que viria a ser a nossa primeira Terra do Nunca e ficamos por ali a observar os movimentos de toda aquela gente que parece fazer-de-conta.

Obrigo-me a uma paragem para reflectir bem e escolher as palavras certas que possam descrever aquele espaço e esta sensação de espectadora de um teatro vivo. Imagine-se um barracão com os mais variados objectos que poderão fantasticamente servir para uma representação de um aeroporto: equipamentos de raios x dispostos como por acaso, conjuntos de cadeiras que se movimentam, empregados de limpeza que se arrastam lentamente de um lado para o outro, sentados ou de pé atrás de uma esfregona eléctrica, enfim, o cenário perfeito de uma obra impressionista.

Por trás de nós, a vidraça pouco nítida espreita para a rua e no passeio um guarda embarricado entre sacos de areia aguarda com metralhadora as tropas inimigas.


publicado por margarida às 11:57
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