A noite foi mal dormida – o alojamento dos “rapazes” tresandava a um misto de odores indesejáveis, os das senhoras eram acanhados, sem banho, e com várias espécies de fauna endémica.
Após o pequeno-almoço, dirigimo-nos ao posto de fronteira e aí percebemos que o sistema informático já possui os nossos dados, recolhidos, certamente, quando nos foi dado o visto de grupo. Podemos finalmente avançar terra dentro.
Informaram-nos que a abertura da via se realizaria somente entre a uma e as quatro da madrugada, mas logo subimos até ao check-point e aguardamos. Somos o segundo jipe e rapidamente outros se juntam a nós, estimando-se que em pouco tempo 4 dezenas de veículos cheios de turistas aguardem o sinal de passagem. Confirmamos mais tarde o porquê do recurso aos Toyota Land Cruiser para fazermos a travessia todo o terreno.
Conversamos, fotografamos, jogamos às cartas e às três da tarde, avançamos.
Percebe-se de imediato que incomodamos na obra que tentam terminar e também ficamos incomodados com o aparente perigo em que nos encontramos – poças de água, lama, calhaus, cascatas, buracos, máquinas em movimento, camiões em sentido contrário, rebentamentos com dinamite, tendas para pernoita dos centenas de operários envolvidos ao longo de
A humidade àquela altitude é muito elevada, por vezes chove, noutras a água mistura-se com as quedas de água. A temperatura é fresca, estamos a mais de três mil metros de altura. As tendas onde os operários pernoitam não parecem ter condições mínimas de higiene, segurança ou conforto. Encontram-se nas bermas do precipício, são rondadas por algumas galinhas e outros animais que deverão mais tarde servir de alimento. Os operários aparentam ser tibetanos pela sua constituição, vestem roupa pouco confortável para o trabalho que desempenham e protegem-se com capacete. Vem-me à ideia a construção do aeroporto das Lajes, na Ilha Terceira, por ocasião da II Guerra. As fotos dos operários trajavam de igual modo – camisa, colete, casaco … Os encarregados são mais corpulentos, possuem outras feições, vestem de forma moderna, falam ao telemóvel.
Avisaram-nos no Nepal que a estrada não tinha condições, pois neste momento todo o Tibete está em obras para passar a tocha olímpica. Não sei se brincavam, mas na realidade muito se faz por estes lados, possivelmente por nunca se ter feito.
A habilidade e competência do condutor dão-nos segurança.
Comemos em Nyalam.
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